O Vale dos Nobres de Luxor: algumas tumbas de destaque

O Vale dos Nobres de Luxor não atrai tanta atenção quanto o Vale dos Reis e o Vale das Rainhas, mas oferece outros atrativos muito interessantes. Não há dúvida de que as necrópoles reais eram mais ricas e opulentas, o que gerou (e continua gerando) fascínio entre os visitantes. Mas, para compreender as crenças religiosas das pessoas comuns daquela civilização, é preciso descer alguns estratos na sociedade. E nada melhor do que visitar essas outras tumbas, das quais selecionamos as melhores a seguir.

Vale dos Nobres de Luxor: o que é e onde fica

Como o próprio nome indica, o Vale dos Nobres de Luxor preserva os locais de sepultamento de pessoas de destaque do Antigo Egito, principalmente a partir da XVIII Dinastia. Elas ocupavam cargos na corte e, embora não fossem membros da família real, podiam se permitir tumbas muito bem cuidadas.

Com o nome Vale dos Nobres, referimo-nos a seis necrópoles, localizadas em diferentes pontos entre o Vale dos Reis (KV) e o Vale das Rainhas (QV), na Margem Ocidental de Luxor. E, para identificá-las adequadamente e diferenciá-las das anteriores, utilizam-se as siglas TT (Theban Tomb). Mas atenção: essa mesma nomenclatura é usada para as tumbas do Vale dos Artesãos, que, por sua singularidade, tratamos em outro post.

No caso do Vale dos Nobres de Luxor, as tumbas são menores e mais simples do que as dos monarcas e de sua família. Geralmente, contam com um vestíbulo de entrada, um corredor e a câmara funerária propriamente dita, que permanecia selada, onde se depositava o corpo do falecido com seu sarcófago, seu enxoval funerário e também estátuas representativas.

Tumbas de destaque do Vale dos Nobres

Assim como ocorreu com o restante das tumbas de Luxor, com o tempo elas foram saqueadas por caçadores de tesouros, em momentos indeterminados da história, de modo que pouco restou de seu enxoval funerário. Mas as mais bem preservadas mantiveram sua decoração parietal, em geral na forma de pinturas murais sobre fundo branco e, apenas em alguns casos excepcionais, com relevos. Estas são as mais significativas.

Tumba de Sennefer (TT96)

Sennefer foi prefeito de Tebas e, além disso, supervisor dos celeiros, campos, jardins e gado de Amon, no tempo de Amenhotep II (XVII Dinastia). E, em seu próprio palácio, contava com um verdadeiro vinhedo e um pomar com outras plantas. Esse amor pela natureza certamente motivou que esta tumba fosse decorada profusamente com videiras, que percorrem o teto da tumba como se fosse uma verdadeira parreira.

Tumba de Nakht (TT52)

A deste funcionário é uma das mais bem preservadas e, além de sua beleza intrínseca, traz muitas informações sobre aquela sociedade. Por exemplo, com imagens de um harpista cego e três dançarinos, ou com cenas da vida rural e jornadas de caça, em meio a densa vegetação de papiros.

Tumba de Amenemipet (TT41)

Ele foi administrador de Amon, e sua tumba é especialmente interessante por ainda conservar nela as estátuas funerárias do falecido e de sua esposa, Nedjemed, que não puderam ser retiradas para serem expostas em algum museu por estarem incrustadas na parede, em alto-relevo. De fato, ocorre o mesmo com muitas outras figuras, com vestígios de policromia.

Tumba de Ramose (TT55)

Encerramos esta lista de tumbas do Vale dos Nobres com uma muito significativa: a deste governador de Tebas sob Amenhotep III e seu sucessor Akhenaton, o rei herege. E, pelo que se pode observar na decoração, o falecido foi um fiel seguidor dele, pois se conserva um relevo com cenas de adoração do disco solar, o que indica que não foi profanada até muito depois; pois, se tivesse sido profanada naquele momento, os defensores do politeísmo restituído a teriam destruído.

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